quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Teologia da Prosperidade: neo-paganismo evangélico
exploram justamente o discurso moderno-consumista que fundamenta o sucesso pessoal ao
sucesso financeiro. Como consequência, desencadeou-se a publicação de uma série de livros,pregações, estudos e programas televisivos evangélicos que exploravam o tema: Teologia da Prosperidade ou Evangelho da Prosperidade.
O primeiro homem a desenvolver uma teologia do bem-estar pessoal, foi o americano Korv Essek William Kenyon (1867-1948) pastor da New Covenant Baptist Church em Spencer,Massachusets, ele foi o responsável pelo movimento conhecido como Word of Faith (Palavrada Fé). Logo depois, sob sua influência, surge o famoso Kenneth Erwin Hagin (1917-2003)que teve grande aceitação no Brasil através do livro O Nome de Jesus e outros. Há investigações sérias que confirmam que Hagin plagiou (para não dizer copiou) palavra por palavra de grande parte das ideias de Korv Kenyon4.
O resultado da penetração da teologia da prosperidade foi uma redução da fé a aspectos materiais, uma superficialidade religiosa centrada em sensações e experiências emocionais.
As consequências foram as mais terríveis e podem ser sentidas até hoje. Os recentes
escândalos no Brasil envolvendo pastores, “apóstolos”, “bispos” e líderes evangélicos
associados com desvio de verbas, lavagem de dinheiro e corrupção política, são
demonstrações do rumo assustador que a Igreja vem tomando.
Os sete selos e as sete trombetas de Apocalipse
Marcelo M. Guimarães (*)
O homem sempre foi fascinado com a idéia de futuro. Para onde caminha a humanidade? Qual será o seu fim? Muitas religiões tentaram e ainda tentam dar uma resposta a essas questões. Mas D’us Todo Poderoso, o criador do universo e do homem revelou a João, através de seu amado, Yeshua (Jesus) o que certamente acontecerá nos tempos finais.
Yeshua ordena a João escrever as coisas que lhe foram mostradas e confirma Ele próprio a veracidade dos fatos.
Na descrição encontrada no livro Apocalipse de João, vemos que Yeshua inicialmente dá um alerta à sua igreja: arrependi-vos. Bem-aventuranças e advertências são dadas.
Logo após essas cartas às igrejas e apóstolos, João tem uma das mais belas visões descritas nas Escrituras Sagradas: a visão do Trono de D’us. Essa descrição encontra-se no capítulo 4 de Apocalipse. Mas é interessante notar um detalhe citado por João: “Vi, na mão direita daquele que estava assentado no trono, um rolo (livro) escrito por dentro e por fora, de todo selado com sete selos” (Ap 5. 1).
Qual o significado desse livro e de seus selos? Na antigüidade documentos reais/oficiais eram escritos em rolos e o selo garantia entre outras coisas:
1. a manutenção do sigilo de seu conteúdo;
2. a autenticidade e a autoridade da mensagem.
A observação feita por João que esse livro estava escrito por dentro e por fora indica a importância e a totalidade de seu conteúdo. O número de selos, sete, indica na língua hebraica a perfeição, a plenitude. Dai pode-se inferir como esse documento é importante. Muitas opiniões existem entre os estudiosos sobre o que é esse livro e o que ele contém. O que podemos afirmar com certeza é que pertence a D’us Todo-Poderoso, que os julgamentos de D’us e seus castigos são liberados ao se abrirem os selos desse documento e que só há uma criatura em todo o universo com autoridade para abrir os selos – Yeshua, o Messias. O cordeiro que foi morto mas vive para sempre. Aquele que cumpriu em plena obediência a missão de expiação pelo homem.
Ao serem quebrados os primeiros quatro selos, são libertados os “quatro cavaleiros do Apocalipse” que representam respectivamente: 1- a guerra em seu aspecto de subjugar as pessoas umas às outras; 2 – a guerra em seu aspecto de ódio entre as nações e indivíduos; 3 – a distribuição econômica desigual, bem como a escassez e 4 – a morte que resulta das 3 primeiras causas e resultantes de doenças.
Muito se tem dito acerca do primeiro cavaleiro montado no cavalo branco. Muitos consideram ser Jesus ou até mesmo a expansão do evangelho. Em Ap 6: 2 fala de um arco (arma de guerra) e que “lhe foi dada uma coroa”. Jesus não precisa que lhe seja dada uma coroa, Ele tem sobre sua cabeça “muitos diademas”(Ap 19:12). Cremos então que este cavaleiro traz julgamento na forma da guerra e conquista. Parece que esse cavaleiro quer enganar com sua aparência seja pelo cavalo branco seja pelo arco, sem a flecha. Ele imita, mas não é o Messias.
No segundo selo vemos claramente o caráter de seu cavalo. Veio num cavalo vermelho que representa a violência e sangue e conduzirá os homens à guerra.
Com decorrência da guerra é quebrado o 3º selo que simboliza a fome e a escassez de alimentos. É importante observar que produtos de luxo que estão presentes nas mesas dos ricos serão preservados. Isto nos leva a inferir que os ricos estarão mais ricos e os pobres trabalharão muito e pouco comerão.
Então o próximo selo é quebrado. Em decorrência da guerra, fome e desigualdade econômica haverá uma mortandade sem igual. O cavalo pálido ou amarelo é a própria cor de um cadáver. Por todo lado haverá guerras, fome, pestes e cadáveres abandonados. Cremos que aqui podemos já visualizar de maneira clara o caráter do governo do anticristo. A quarta parte dos habitantes da terra morrerá.
O quinto selo faz liberar um clamor por vingança daqueles que foram mortos como mártires. O Talmud fala das almas dos justos oferecidas como sacrifício a D’us no Templo Celeste. Eles reconhecem que a vingança pertence a D’us. Mas ainda não é chegado o tempo oportuno. Deveriam aguardar até que se completasse o número de mártires.
É quebrado então o 6º selo, o selo que libera ira da natureza. Um grande terremoto acontece a nível mundial. Parece haver a descrição de uma grande chuva de meteoros. Todos os homens, grandes e pequenos, são afetados. Os homens têm consciência de que esses acontecimentos são juízos de D’us.
Nesse ponto há uma suspensão dos juízos para que sejam selados 144.000 judeus. Esse selo pode significar uma proteção do dano físico ou espiritual e representará uma proteção durante a tribulação. Afirmamos que são judeus porque há a descrição de cada tribo. Há a falta das tribos de Dâ e Efraim. É provável que isso tenha ocorrido por causa de sua idolatria. Elas deixaram que fosse introduzido em suas tribos bezerros de ouro pelo rei Jeroboão (Jz 4:45, Os 4:17). Embora hoje a maioria dos judeus não esteja convicta de sua linhagem esta passagem indica que D’us miraculosamente revelará a identidade tribal de seu povo nos últimos dias. O Salmo 87:5-6 diz: “E com respeito a Sião se dirá: Este e aquele nasceram nela; e o próprio Altíssimo a estabelecerá. O Senhor, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu lá”.
Esses 144.000 serão judeus messiânicos, isto é, judeus que crêem em Yeshua como o Messias enviado por D’us e profetizado no Antigo Testamento. Seu ministério, durante o período tribulacional, será o de testemunhar perante o mundo. Em Ap 14:5,6 eles aparecem como primícias para D’us e para o cordeiro, são castos e sem máculas. No céu recebem o privilégio de aprenderem o novo cântico de louvor e adoração a D’us.
Seguindo a visão dos 144.000, João vê uma multidão de todas as nações que estão diante do trono. Quem são estes? São aqueles que, vendo o juízo de D’us sobre a terra, se arrependerão, se purificarão e aceitarão a salvação que há no sangue sacrificial de Yeshua. Pagarão com sua própria vida por causa de sua fé. Serão decapitados (Ap 20: 4), por causa de Yeshua. Manterão o testemunho de sua fé e como recompensa servirão dia e noite a D’us no seu santuário celeste.
Após essa pequena suspensão na retirada dos selos faz-se um silêncio por meia hora. É um silêncio que causa profundo temor. É o indício que algo solene ou tremendo está para acontecer. É então quebrado o 7º selo. Pode-se dizer que nesse momento inicia-se a ira de D’us. D’us está vindo para intervir de maneira definitiva na rebeldia e pecado dos homens. Esse sétimo selo libera as sete trombetas que são tocadas por sete anjos.
O toque da trombeta (shofar) entre o povo de Israel é muito significativo. É um modo de chamar o povo à ação; alertar quanto á guerra; chamar o povo à adoração e anunciar as festas bíblicas.
As quatro primeiras trombetas afetarão diretamente a natureza e de modo indireto os homens. Lembra as pragas do Egito (Sl 105:29,32), enquanto as últimas três pragas afetarão diretamente os homens.
Com o toque da 1ª trombeta haverá uma chuva de granizo, fogo e sangue. Terá um efeito catastrófico sobre a vida vegetal. A qualidade do ar será comprometida. Será uma clara advertência ao mundo.
Com o soar da 2ª trombeta haverá uma grande destruição sobre o mar. Haverá a queda de um grande elemento fumegante sobre o mar. É difícil saber ao certo o que será, mas pode ser um grande meteoro ou mesmo uma bomba de grande poder de destruição. As perdas na natureza e de vidas humanas serão enormes.
A 3ª trombeta fará liberar um juízo sobre as fontes de água potável da terra. Um terço dos rios e das fontes naturais serão contaminados. O símbolo usado “absinto” é uma madeira de sabor mais amargo que há. Muitos homens morreram o ingerir das águas contaminadas.
A 4ª trombeta afetará o firmamento. Um terço do sol, lua e estrelas perderão seu brilho. Isto significa que a luz do dia será diminuída e que o poder da luz será reduzido em um terço. Isso trará um esfriamento à terra e tristeza aos homens.
Os três últimos toques serão também os “ai”. São toques que trarão muitos sofrimentos e causarão lamentos. A 5ª trombeta libera um anjo que tem as chaves do abismo. O abismo não é o Sheol mas um lugar onde seres demoníacos estão aprisionados. Esses poderes demoníacos são descritos como locustas que voam (Ex 10:12-20; Gl 1:4,2:4-14) e ferroam como escorpiões (Ez 2:6, Lc11:12).
Atormentaram os homens de maneira tremenda e terão 4 limitações: a) não podem danificar a natureza; b) não podem atormentar os que estão com o selo de D’us; c) não podem matar e d) seu poder é limitado. Quando a 6ª trombeta é tocada, quatro anjos são liberados. Esses anjos encontravam-se atados junto ao rio Eufrates. O rio Eufrates é um dos quatro rios que saía do Jardim do Éden. Foi nessa região que o homem começou a adorar a ídolos e pensou em chegar ao céu por seus próprios esforços. O lugar que lembra a vitória dos anjos caídos sobre o homem (Éden), D’us transforma em prisão para eles. Esses anjos parecem ser espíritos malíguinos, atados por causa de seu espírito homicida, pois não podem matar, até que chegue a hora indicada por D’us e Ele dê ordem para soltá-los. Quando soltos trazem consigo exércitos numerosos e saem para cumprir o seu desejo de matar e destruir os homens. Será um golpe estonteante, dado pelo próprio Hades e que se constituirá numa praga que deixará os homens atônitos. Apesar desse grande flagelo os homens não se arrependem.
A 7ª trombeta é tocada. Embora muitos eventos ainda estejam em curso, João relata a alegria antecipada dos anjos pela vitória plena de Yeshua sobre Satanás. Os 24 anciãos adoram a D’us reconhecendo que o seu reino glorioso será implantado na segunda vinda de Yeshua.
As nações continuam endurecidas, mas o juízo final de D’us se aproxima. É então liberada a consumação da ira de D’us com os sete últimos flagelos – as taças da ira.
Marcelo M. Guimarães – Rabino messiânico ordenado pelo Netivyah Bible Instruction Ministry- Jerusalém – Israel
Fundador do Ministério Ensinando de Sião e da Congregação Har Tzion em Belo Horizonte-MG
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Plenitude Batismal Espíritual
A PROMESSA DO ESPÍRITO
A vida cristã é viva no Espírito. Todos os cristãos concordam nisso com alegria. Sena impossível ser cristão, sem falar em viver e crescer como cristão, sem o ministério do gracioso Espírito de Deus. Tudo o que temos e somos como cristãos devemos a ele.
Assim, cada cristão tem uma experiência do Espírito Santo desde os primeiros momentos da sua vida cristã. Para o cristão, a vida começa com um novo nascimento, e o novo nascimento é um nascimento "no Espírito" (João 3:3-8). Ele é o "Espírito da vida", e é ele quem dá vida às nossas almas mortas. Mais que isto, era vem pessoalmente morar em nós, de maneira que a presença do Espírito é o privilégio que todos os filhos de Deus têm em comum.
Será que Deus nos faz seus filhos e depois nos dá seu Espírito, ou será que ele nos dá primeiro seu "Espírito de adoção", que nos torna seus filhos? Podemos responder que Paulo diz as duas coisas. Por um lado, "porque vós sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho" (Gál. 4:6). Por outro lado, "todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção" (Rom. 8:14-15). Não importa como você encara a questão: o resultado é o mesmo. Todos os que têm o Espírito de Deus são filhos de Deus, e todos os que são filhos de Deus têm o Espírito de Deus. É impossível, até inconcebível, ter o Espírito sem ser filho, ou ser filho sem ter o Espírito. Além disso, uma das primeiras obras do Espírito que mora em nós, e, graças a Deus, sempre repetida, é assegurar-nos que somos filhos, especialmente quando oramos. Quando "clamamos: Aba, Pai!", 'o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rom. 8:15,16; veja Gál. 4:6). Ele também inundou nosso coração com o amor de Deus (Rom. 5:5). Paulo resume o assunto ao dizer que "se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele" (Rom. 8.9; veja Judas 19).
Toda esta passagem em Rom. 8 é muito importante, porque demonstra que, no entender de Paulo, estar "em Cristo" e "no Espírito", ter "Cristo em vós" e "o Espírito em vós" são todas expressões sinônimas. Ninguém pode ter Cristo, portanto, sem ter o Espírito. O próprio Jesus deixou isto claro em seu discurso no Cenáculo, quando não fez distinção entre a "vinda" a nós das três pessoas da Trindade. Ele disse "eu virei", "nós viremos" (o Pai e o Filho) e "o Consolador virá" (João 14:18-23; 16:7-8).
Depois que ele vem a nós, passando a residir em nós, tornando nosso corpo seu templo (1 Cor. 6:19,20), começa sua obra de santificação. Em poucas palavras, seu ministério implica tanto em revelar-nos Cristo como em formar Cristo era nós, de maneira que cresçamos firmemente em nosso conhecimento de Cristo e em nossa semelhança com ele (veja, p. ex., Efés. 1:17; Gál. 4:19; 2 Cor. 3:18). Pelo poder do Espírito que habita em nós os desejos maliciosos da nossa natureza decaída são controlados e o bom fruto do caráter cristão é produzido (Gál. 5:16-25). Da mesma forma, o Espírito não é uma propriedade particular, que ministra somente aos cristãos individualmente; ele também une todos no Corpo de Cristo, a Igreja, de maneira que a comunhão cristã é "a comunhão do Espírito Santo", e o culto cristão é adoração no ou pelo Espírito Santo (p. ex., Filip. 2:1; 3:3). Também é ele que chega a outros através de nós, levando-nos a testemunhar de Cristo, e equipando-nos com dons para o serviço para o qual ele nos convoca. Além disso, ele é chamado de "o penhor da nossa herança" (Efés. 1:13,14), porque sua presença dentro de nós é tanto a garantia de que iremos ao céu quanto o antegozo dele. Por fim, no último dia sua atividade será a de ressuscitar nossos corpos mortais (Rom. 8:11).
Esta visão de relance de algumas das principais atividades do Espírito Santo na experiência do cristão deve bastar para mostrar que, do começo ao fim da nossa vida cristã, somos dependentes da obra do Espírito Santo – o Espírito, nas palavras de Pauto, "que nos foi outorgado (dado)" (Rom. 5:5). Eu creio nisto, e espero que todos os cristãos concordem comigo.
Todavia, será que este "dom" do Espírito prometido é a mesma coisa que o "batismo" do Espírito Santo? É neste ponto que as convicções diferem. Alguns dizem "sim"; outros, "não". Os que dizem "não", crêem que "dom" e "batismo" são diferentes, passam a ensinar que o "batismo" é uma segunda experiência, subseqüente, mesmo se, pelo menos em termos ideais, ela segue a primeira muito de perto. Por outro lado, para os que crêem que ambos são idênticos, e que ser "batizado" com o Espírito é uma figura vívida para ter "recebido" o Espírito, o "batismo" é algo que todos os cristãos tiveram. Esta é a minha convicção, e em seguida explicarei o que entendo ser a base bíblica para esta posição.
Não estamos fazendo um jogo de palavras superficial, como poderia parecer. Pelo contrário, nossa posição terá um impacto considerável sobre a compreensão da nossa peregrinação cristã pessoal e sobre nosso aconselhamento de outras pessoas. Por isso, precisamos estudar algumas passagens bíblicas importantes, porque tratam desta questão. Antes, no entanto, precisamos visualizar o cenário do nosso debate.
Ao estudarmos a Bíblia, sempre é essencial que interpretemos um texto em seu contexto, e, quanto mais amplo for o contexto, mais correta provavelmente será nossa interpretação. O contexto mais amplo possível é a Bíblia toda. Cremos que toda a Bíblia é a Palavra escrita de Deus. Por isso, já que Deus não se contradiz, concluímos que a Bíblia é uma revelação divina harmoniosa. Nunca devemos "expor uma passagem da Escritura de uma maneira que seja repugnante a outra" (Vigésimo artigo dos 39 artigos da Igreja da Inglaterra). Antes devemos interpretar cada trecho bíblico à luz de toda a Escritura.
Ao aplicarmos este princípio à nossa pesquisa do que é o "batismo do Espírito", perceberemos antes de tudo que a expressão é exclusiva do Novo Testamento (onde ocorre sete vezes), mas que, mesmo assim, é o cumprimento de uma expectativa do Antigo Testamento. Esta expectativa geralmente era expressa em termos da promessa de Deus de "derramar seu Espírito, sendo que o apóstolo Pedro, em seu sermão no dia de Pentecostes, igualou especificamente o "derramamento" do Espírito (prometido por Joel) ao "batismo" do Espírito (prometido por João Batista e Jesus). As duas expressões estavam se referindo ao mesmo evento e à mesma experiência.1
A Promessa de uma Bênção Diferente
Podemos ir além. Este "derramamento" ou "batismo" do Espírito haveria de ser uma das bênçãos mais distintivas da nova época. Tanto que o apóstolo Pauto pôde descrever a nova era iniciada por Jesus como "o ministério do Espírito" (2 Cor. 3:8).
É claro que isto não quer dizer que o Espírito Santo não existia antes. O Espírito Santo é Deus e, portanto, eterno. Também não quer dizer que ele estava inativo antes. No tempo do Antigo Testamento, ele estava incessantemente ativo – na criação e na preservação do universo, na providência e na revelação, na regeneração de crentes, e na capacitação de pessoas especiais para tarefas especiais.
Mesmo assim, alguns profetas predisseram que nos dias do Messias, Deus concederia uma difusão liberal do Espírito Santo, nova e diferente, bem como acessível a todos (como veremos). Neste sentido Isaías falou do dia em que o Espírito seria "derramado sobre nós lá do alto" (32:15). Em Isaías 44:3 Deus prometeu: "Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca, derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes". A mesma terminologia foi usada por Ezequiel, a quem Deus disse: "Saberão que eu sou o Senhor seu Deus, quando.., derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel" (39:28,29). Da mesma forma, em uma passagem mais conhecida, Deus disse: "E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne" (Joel 2:28).
João Batista, o último profeta da ordem antiga, resumiu esta expectava em seu dito conhecido, que creditou o derramamento do Espírito ao próprio Messias: "Eu vos tenho balizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo" (Mar. 1:8).
A esta altura é instrutivo observar que esta profecia de João, registrada pelos três evangelistas sinóticos como futuro simples ("ele vos batizará"), no quarto evangelho toma a forma de um particípio presente: "Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água, me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que baliza com o Espírito Santo" (João 1:33). Este uso do particípio presente tira do verbo os limites do tempo. Ele não descreve o evento único que foi o Pentecostes, mas o ministério específico de Jesus: "Esse é o que baliza com o Espírito Santo".2
Na verdade, as mesmas palavras, ho baptizôn, que aqui se referem a Jesus, são aplicadas por Marcos a João Batista! Geralmente, João é chamado de ho baptistés, "o Batista", porém três vezes na narrativa de Marcos (1:4; 6:14, 24) ele é chamado de ho baptizôn, (diferença que não aparece em nossas traduções em português, mas que significa "o Batizador", N.T.). Em outras palavras, assim como João é chamado de "o Batista" ou "o Batizador", porque a característica do seu ministério era batizar com água, também Jesus é chamado de "o Batista" ou "o Batizador", porque a característica do seu ministério é batizar com o Espírito Santo.
Esta referência ao ministério diferente de Jesus é reforçada pelo versículo 29 do mesmo capítulo (João 1), em que João Batista diz: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" Trata-se de outro particípio presente, ho airôn. Se juntarmos os versículos 29 e 33, descobriremos que a obra característica de Jesus é dupla: ela inclui uma remoção e uma doação, uma retirada do pecado e um batismo com o Espírito Santo. Estes são os dois grandes dons de Jesus Cristo, nosso Salvador. Eles são sempre apresentados juntos pelos profetas do Antigo Testamento e pelos apóstolos no Novo, e não podem ser separados. Por isso Deus prometeu através do profeta Ezequiel: "Aspergirá água pura sobre vós, e ficareis purificados; ... porei dentro era vós o meu Espírito, e farei com que andeis nos meus estatutos..." (36.25,27).
Estas duas promessas de Deus na verdade são as duas grandes bênçãos da "nova aliança" profetizada por Jeremias. Porque os termos da nova aliança incluem estas palavras: "Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei... perdoarei as suas iniqüidades, e dos seus pecados jamais me lembrarei".3
É um testemunho maravilhoso à unidade da Escritura verificar como os apóstolos retomaram estas promessas relacionadas com a nova aliança. Eles sabiam que a nova aliança tinha agora sido estabelecida e ratificada pelo sangue de Jesus (Mat. 26:28, Heb. 7:22; 8:1-13), e por isso falaram abertamente que as bênçãos da aliança prometidas, agora estavam disponíveis através do mesmo Senhor Jesus. Assim Paulo chamou os ministros cristãos de "ministros de uma nova aliança", avançando em seguida para descrevê-la como "ministério da justiça" (isto é, justificação), e como "ministério do Espírito" (2 Cor. 3:6-9).
De maneira semelhante, o apóstolo Pedro exclamou no dia de Pentecostes: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (Atos 2:36). Assim, Pedro garantiu a todos que se arrependessem e cressem,4 e dessem testemunho público de sua fé penitente em Jesus, sendo batizados em seu nome, que receberiam gratuitamente de Deus dois presentes: o perdão de seus pecados e o dom do Espírito Santo.
Além disso, uma leitura cuidadosa dos dois primeiros capítulos de Atos leva à conclusão de que este "dom do Espírito" é sinônimo com o que antes é chamado de "a promessa do Espírito" (1:4; 2:33, 39), "o batismo do Espírito" (1:5) e "o derramamento do Espírito" (2:17,33), embora possamos dizer que duas destas expressões põem mais ênfase no ato de dar, e as outras duas no ato de receber o Espírito. Podemos resumir tudo isto dizendo que aqueles crentes penitentes receberam o dom do Espírito que Deus tinha prometido antes de Pentecostes, e que foram balizados com o Espírito que Deus derramou no dia de Pentecostes. O apóstolo Pedro conservou sua convicção sobre esta identificação de significados. Quando Cornélio se converteu mais tarde e recebeu o Espírito, Pedro se referiu àquilo como o "batismo" e como o "dom" do Espírito (Atos 11:16,17).
À luz de todo este testemunho bíblico, parece-me estar claro que o "batismo" do Espírito é idêntico à promessa ou dom do Espírito, e é tão parte integrante do evangelho da salvação quanto a remissão de pecados. Certamente, jamais devemos pensar na "salvação" em termos meramente negativos, como se ela consistisse apenas em nossa libertação do pecado, culpa, ira e morte. Agradecemos a Deus porque ela inclui todas estas coisas. Mas ela abrange também a bênção positiva do Espírito Santo, que nos regenera, vem morar em nós, nos liberta e transforma. Quão truncada fica a nossa pregação do evangelho se damos ênfase somente a um lado! E que evangelho glorioso temos para compartilhar quando nos mantemos fiéis à Escritura!
Quando pecadores se arrependem e crêem, Jesus não somente tira seus pecados, mas também os batiza com o seu Espírito. De fato, Paulo coloca isto para Tito em termos dramáticos, quando Deus "salva", ele não somente nos "justifica" por sua graça, mas também nos faz passar por um "lavar" ou "banho". Se isto é uma referência ao batismo na água, como é provável, então é uma indicação do que significa o batismo na água. Pauto o descreve com uma expressão marcante, composta. E um "banho de renascimento e renovação do, isto é, por meio do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós de maneira abundante, através de Jesus Cristo, nosso Salvador" (3.4-7, tradução própria). Assim, vemos novamente que o Espírito, derramado para nos regenerar e renovar, também faz parte da salvação. O "batismo" ou "dom" do Espírito realmente é uma das bênçãos especiais da nova era iniciada por Jesus Cristo.
